FATOS E FOTOS

Relembrando as maquinas fotográficas.

Você comprava o filme com 12, 24 ou 36 poses ou fotos, dependendo para qual evento. Uma viagem, um encontro, uma festa, um baile ou sem motivos mesmo.

Você não ficava tirando fotos como hoje. A mesma pose você clica três vezes no seu celular e fica com a melhor, as outras duas você deleta. Tira foto à vontade e vê na hora se ficou boa. Compartilha em redes sociais, enfim, a modernidade, mas não a mesma sensação.

A sensação indescritível de você levar para a revelação, na “foto ótica”, sim porque além de revelarem suas fotos eles vendiam, filmes, molduras e óculos. Na entrada várias fotos já reveladas e colocadas em quadro na vitrine da loja, obviamente autorizadas pelo modelo. Havia uma sala própria para tirar foto 3×4 para documentos.

Quando comprava os filmes para a máquina, o atendente explicava como colocar e como retirá-los sem estragar suas fotos.  Não poderia tirá-los na claridade, senão queimariam as fotos. Vários truques e dicas eram apresentados por ele.

Quando estava acabando o filme da máquina, ficávamos economizando para não gastar com fotos bobas.

Quando havia fotos mais ousadas, me lembro que não levava no mesmo lugar para revelar.  Ficávamos com receio do profissional conhecer por exemplo, sua irmã, prima ou mãe de biquíni.

Imaginávamos se as fotos ficariam boas, as vezes até apostatávamos quantas ficariam danificadas.

As sensações de abrir o envelope para ver as fotos eram emocionantes.

Lembro que tirei a foto de uma amiga com um biquíni de Asa Delta, deitada de bruços numa cadeira na piscina de um hotel. Acho que foi a melhor foto que tirei em minha vida. Ficou muito boa. Ficou muito tempo guardada e depois de muitos anos ela sumiu do meu álbum, provavelmente rasgada ou queimada por minha atual esposa, mesmo sendo solteiro na época.

Minha mãe não estragava toda foto. Ela recortava a pessoa que não gostava na foto. Havia uma que me deixou curioso. Eram três pessoas, minha mãe, meu pai e outra mulher abraçada ao meu pai que não se via por justamente minha mãe ter recortado. Sei que era mulher porque tinha uma mão com unhas pintadas em cima do ombro dele. Sei lá, poderia ser uma prima, uma amiga em comum.

Fico imaginando o fotografo da Rose Di Primo. Para quem não conhece, foi uma modelo dos anos 70 e 80. Pousava para a revista Ele & Ela, Playboy e Status. Eu tinha vários pôsteres dela.

Por que lembro de Rose Di Primo?

 Em uma tarde brincando em casa com a bola, quebrei o vidro da radio- vitrola (um móvel grande que ficava na nossa sala onde ouvíamos músicas no disco de vinil e notícias, músicas e transmissões esportivas no rádio), não sabia o que fazer. Inocentemente peguei uma foto dela na revista Playboy, uma mais comportada e coloquei no local do vidro. Eu achei que ficou ótima. Pura arte. Eu era um artista.

Quando minha mãe chegou do trabalho no final da tarde, cansada, sua primeira visão foi a radio- vitrola toda moderna e renovada por um artista desconhecido por todos, não por ela, porque já conhecia o artista apaixonado por Rose Di Primo. Apanhei até na adolescência sem saber o motivo. Seria o vidro quebrado ou o meu gosto por mulheres bonitas?

São fatos, são fotos.

Publicado por Nelson Faria

Eu sou o que sou, porque faço da minha maneira. Simples assim. Sem prejudicar ninguém e amando todos, independente de raça e religião. Palmeirense de coração.

6 comentários em “FATOS E FOTOS

  1. Muito bom Nelson. Você tem toda a razão sobre as fotos analógicas. Eu me lembro que era muito fan da máquina descartável Love. Você comprava a primeira, daí na hora de revelar, entregava a máquina e tudo para o laboratório (Kodak se não me engano). Na hora de pegar as cópias, eles te davam outra máquina Love para tirar mais fotos.

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      1. Nelson, pensei que só eu fazia ou tinha as sensações, intimidade. Muito legal tirar fotos. Felizmente ainda temos fotos da época. No começo lembro que só um tio tinha máquina fotográfica, então não temos fotos primeira casa que moramos em Registro. Só da segunda casa e depois de muito tempo. Não tive a Love também. Além de ser caro revelar fotos as máquinas eram caras. Ainda bem que isso mudou em relação ao fato de mais pessoas poderem ter fotos!!! Grande, adorei. Coitada da tua mãe. Rsrs

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      2. Pelo sobrenome só pode ser minha parente.
        Minha querida irmã, hoje em dia estou mais comportado, só quebro a cara de vez em quando. Futebol nem pensar, só assistindo e torcendo.
        Obrigado pelo comentário.
        Estou com saudades.
        Beijos

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