O amargo e o Google

O menino sai da sala gritando e correndo com um caderno e uma caneta na mão e vai até a cozinha onde o pai está abrindo a porta da geladeira para pegar uma cerveja. Neste momento o menino tropeça e deixa cair o copo que estava em cima da mesa indo direto ao chão. Fez barulho mas não quebrou. O Pai leva um susto.

  • Que susto, menino! Você não olha por onde anda? Quase morro do coração.
  • Pai…
  • Fala menino, desembucha logo. Pare com esta aflição.
  • Trabalho de escola. O que significa amargo?
  • Bem… Amargo é… Como posso explicar para você entender melhor? Amargo é…
  • O senhor sabe ou não sabe?
  • Claro que sei. Estou encontrando uma explicação para melhor informar a você. Vou olhar aqui no meu celular no aplicativo do Google.
  • Então o senhor não sabe.
  • Sei sim. Só não estou encontrando… Achei. Amargo, adjetivo. De sabor desagradável. Não doce, sem doce. Viu? Entendeu agora?
  • Mais ou menos. A cerveja que o senhor está tomando é amarga?
  • Sim, é amarga.
  • Tem sabor desagradável?
  • Não. Não é bem assim… é que… Como posso explicar para você entender melhor?
  • Já sei. O senhor vai olhar no Google de novo.
  • Não. O que quero dizer é que existe amargo gostoso, como a cerveja, por exemplo. É amarga e gostooooosa!!!!
  • Pai…
  • Fala logo menino!
  • Por que o senhor quando não gosta de alguma coisa, o senhor diz: De amarga, já basta a vida.
  • É uma força de expressão.
  • O que é força de expressão?
  • Força de expressão é…
  • Pai! procura logo no Google.
  • Tá. Achei. Expressão exagerada, para mais ou para menos, sobre algo.
  • Pai…
  • Oh, my God!!!
  • Ãh!
  • Isto eu sei, é uma expressão em inglês que significa, Oh, meu Deus!
  • Parabéns pai! Pai…
  • Hum!
  • Amarga, amarga…
  • Amarga, amarga, o que?
  • (O menino lendo o seu caderno) A Margarete ficou amargoada com amargor, porque ela disse que o seu namorado Camargo, acha o seu amargo amarelo mais bonito que a Margarete
  • Me dê este caderno aqui. Não filho, tá tudo errado. Primeiro: Não é amargoada, o correto é magoada. Não é amargo amarelo, acho que você quis dizer, Camaro amarelo. Este amargor está fora do contexto. Vou procurar no Google para você o significado. Aqui está: Amargor, sentiu na boca o amargo da fruta verde. No sentido figurado, quer dizer, sensação de amargura, de desgosto, angústia, aflição.
  • Não pai, amargor é o nome da menina. Maria Gorete, apelido Margô.
  • Chega!!! Perdi a paciência. Tome o seu caderno.

Neste instante a mãe entra na cozinha e diz:

  • Posso saber que discussão é esta?

O pai responde:

  • Este menino não sabe nada.
  • Não mãe. Quem não sabe nada é o pai. Ele não sabe e vai procurar no Google. Assim até eu sei.
  • Volta pra sala, menino.
  • mas pai…
  • Agora!

O menino com raiva e amargurado, obedece o pai.

Enquanto isso na cozinha a mãe tentando colocar panos quentes, diz:

  • Que tal, pegar um cineminha no final da tarde para acabar com o seu stress?
  • Boa ideia. Você sabe qual filme está passando?
  • O amargo regresso.
  • Não! Até você mulher?
  • Amor, empresta o seu celular para eu ver no Google uma receita de Jiló refogado.
  • Google, jiló!!! Chega!!!! Tome o celular que eu vou tomar minha cerveja amarga e afogar todas minhas amargoas, digo, magoas num copo de cerveja, sem filho, sem celular, sem Google e completamente só. I’m all alone!

Abriu outra cerveja e começou a cantar a música do Daniel, “que o amargo e a solidão, que me corta o coração…”

22 DE ABRIL

Qual data é mais importante, 22 de abril ou 22 de abril? Ficou um pouco confuso?

Vou ajudar um pouco mais: 22 de abril de 1500 ou 22 de abril de 2020?

Você decide, leitor. Colocarei alguns acontecimentos desses dias com 520 anos de diferença e tentarei não influenciar o seu voto.

No dia 22 de abril de 1500, chegaram em nossas terras, 3 caravelas com seus poderes e um comandante chamado Pedro Alvares Cabral e descobriram o Brasil.

No dia 22 de abril de 2020, chegaram em Brasilia todos os ministros convocados para uma reunião ministerial com o presidente da república. Brasilia é onde fica a Praça dos Três poderes. Cabral, que descobriu quase todo o Rio de Janeiro, não foi convidado, por ser corrupto e por também estar preso.

A esquadra de Cabral (1500, não confunda), era composta de 1500 homens, entre eles navegadores experientes, padres, cientistas, soldados e comerciantes ( assassinos ladrões e corruptos).

No Brasil, acho que são 22 Ministérios. Não sei se existem corruptos, mas se investigar na Câmara Federal, no Senado Federal, enfim, no Brasil em geral, poderemos constatar que existem muitos corruptos, ladrões e assassinos. É melhor eu não comentar sobre isto. Você leitor, de acordo com suas convicções políticas ou não, ou através de notícias que surgem a cada dia através dos noticiários e redes sociais, sem entrar no mérito sobre fake news, você poderá tirar sua própria conclusão.

Na esquadra de Cabral eles trocavam presentes.

No Brasil de hoje eles trocam “favores”. É um toma lá, dá cá.

A esquadra de Cabral era sem equilíbrio na questão, homens e mulheres. Só havia homens.

Hoje no Brasil, há um equilíbrio, conforme o nosso presidente disse em cerimônia no Palácio do Planalto. “Pela primeira vez na vida, o número de ministros e ministras está equilibrado no nosso governo. Temos 22 ministérios, 20 homens e duas mulheres. Somente um pequeno detalhe: cada uma das mulheres que estão aqui valem por 10 homens”.

A semelhança que existe entre as datas é que nenhuma delas é feriado.

A diferença é que as duas foram descobertas de formas diferentes. Em 1500, a palavra “descobrimento”, não poderia ser colocada neste contexto, porque quando os portugueses chegaram aqui, já existiam os índios. Na minha modesta opinião, esta data deveria ser: A chegada dos portugueses ao Brasil e não o descobrimento do Brasil. Em 2020, a palavra “descobrimento”, substantivo, deveria ser substituída pelo verbo descobrir, que no dicionário significa remover, tirar o que cobre (algo), total ou parcialmente.

Em 22 de abril de 1500, sabemos dos acontecimentos sem interferências, graças também ao escrivão Pero Vaz de Caminha, narrando suas histórias sem censuras.

Sobre 22 de abril de 2020, não posso afirmar o que realmente aconteceu porque a gravação em uma fita gravada neste dia está a espera do ministro do STF julgar se a população tem ou não o direito de saber sobre o conteúdo da reunião.

Provavelmente saberemos sobre o conteúdo da fita, no dia 25 de maio, mas aí será uma outra crônica.

Sem influenciar você, leitor, a data mais importante para mim, com certeza é 25 de maio. Dia do meu aniversário.

OS TRÊS PORQUINHOS E O LOBO MAU

Era uma vez, numa floresta, a perturbada vida dos três porquinhos. Nobre, Moro e Temer.

Eles queriam construir uma casa para se proteger do Lobo Mau e de todas as doenças que estavam aparecendo na floresta. Discutiram muito sobre o tempo em que gastariam para a construção, porque eles não só queriam trabalhar, mas queriam seus momentos livres para brincar. O único que não concordava com a ideia era o porquinho Nobre que queria construir uma casa que fosse segura, a prova de Lobo Mau e de epidemias.

Como não chegaram a um consenso, resolveram se dividir e cada um construiria a sua. Nobre iria construir uma casa de tijolos, Moro construiria uma casa de palha por questão de justiça, assim ele pensava e Temer construiria uma casa de madeira, porque na floresta havia muitas madeiras. Que cara de pau! E assim fizeram e começaram a trabalhar.

Nobre não tinha tempo para brincar, só ficava em sua construção. Os outros brincavam a tarde toda e deixavam apenas o período da manhã para a construção da casa, que em poucos dias já estavam prontas e agora brincavam o dia inteiro enquanto o Nobre ainda estava construindo.

Passados alguns meses, finalmente as três casas estavam prontas e junto com o término das obras, teve uma pandemia que afetou a floresta inteira e a maioria dos bichos ficavam em casa para se proteger da tal doença.

O Lobo Mau desobedeceu as regras e saiu a caça de porcos, para satisfazer seu apetite voraz. Quando ao longe ele avista os porquinhos brincando feliz da vida e saiu correndo para pegar aquele apetitoso almoço. Os porquinhos viram o Lobo Mau e correram cada um para sua casa

O Lobo Mau falou para o porquinho Moro:

  • Saia daí por bem que eu estou com fome e quero comer, senão eu vou assoprar sua casa e destruí-la. Talquei? Quem manda nesta floresta, sou eu, o Lobo Malsonaro.

Como Moro não obedeceu, o Lobo Malsonaro começou a assoprar a casa de palha e juntamente com o assopro, mandar gotículas de salivas pelo ar e o porquinho Moro, começou a passar mal ficando com febre e muita tosse. Quando finalmente a casa começou a cair, o porquinho Moro não teve outra alternativa a não ser sair correndo. Mesmo debilitado, o local que ele encontrou mais perto, foi a casa do Temer.

O Lobo Malsonaro estava cansado de tanto assoprar a casa de palha que resolveu ir embora e voltar no dia seguinte com mais força para derrubar a casa de madeira.

Os dois porquinhos passaram a noite muito mal, porque a casa era muito pequena para eles e o porquinho Temer começou a tossir e ficar com febre também. A doença era muito rápida no contágio.

Na manhã seguinte quando os dois porquinhos estavam decididos a procurar o Nobre e pedir asilo em sua casa, porque era grande, bonita e segura, eles não contavam com a presença do Lobo Malsonaro no lado de fora, só na espreita para devorá-los.

  • Eu sei que tem dois porquinhos nesta casa de madeira e eu vou derrubar com meu assopro, porque eu sou forte, jovem e atleta e mando nesta floresta, talquei?
  • Não maltrate a gente. Você não tem família?
  • Tenho três filhos.
  • Eles devem estar desprotegidos nesta hora e outros bichos poderão comê-los.
  • Meus filhos estão protegidos pela PF.
  • PF?
  • Sim, Policia Florestal. O Folhagem está cuidando deles.
  • Folhagem? Que nome esquisito!
  • Chega de conversa que agora eu vou assoprar a casa de vocês e derrubá-la.

E começou a assoprar. A casa balançava mas não caía. Ele descansou um pouco e começou a assoprar novamente, quando finalmente a casa de madeira veio abaixo e os dois porquinhos começaram a correr para a casa do Nobre.

O Lobo Malsonaro estava sem forças para correr porque havia gasto quase que todas suas energias naquele assopro e achou melhor deixar a derrubada da outra casa para o dia seguinte.

Os dois porquinhos entraram pela porta dos fundos da casa de tijolos, depois de fazer uma higienização completa e ficarem isolados nos quartos de hóspedes.

Na manhã seguinte, o Lobo Malsonaro estava na frente da casa para a derrubada fatal. Antes, ele tentou convencer os três porquinhos a saírem.

  • Estou dando a chance para vocês saírem da casa e irem para minha casa lá no planalto, porque lá é melhor, mais amplo, com jardins e muitos espaços para vocês brincarem. Eu não vou mais comer vocês. Sei que tem dois porquinhos doentes e o médico da floresta, o dr. Maneta, irá cuidar de vocês.
  • Quem pode garantir isso? Um Lobo, que não tem palavra, que promete uma coisa e depois não cumpre? A floresta era melhor quando o Lula mandava, porque Lula é Polvo e não é venenoso.
  • É mentira! Este Lula pegava conselhos com um Polvo australiano que é muito venenoso e trouxe ele para morar num sítio aqui na floresta. E chega de conversa. Eu vou pegar vocês de qualquer maneira, nem que seja para queimar toda a floresta. Talquei?

E começou a assoprar a casa de tijolos, cada vez mais forte e não acontecia nada porque além dos tijolos, o porquinho construiu um tipo de uma bolsa em cima das paredes que estocava o vento e era ligado a um respirador que ele utilizou para salvar os dois porquinhos que estavam doentes. Esta ideia ele pegou da sua vó chamada Zilma Bucef.

Depois de tanto tentar e não conseguir, o Lobo Malsonaro desmaiou e foi levado a um Hospital longe da floresta, onde contraiu uma doença respiratória aguda e morreu.

Depois da pandemia, tudo passou e as coisas voltaram melhores na floresta.

Na floresta elegeram um novo presidente, o Porco Nobre, que em seu primeiro decreto, colocou como prioridade a plantação de várias palmeiras, deixando a floresta ainda mais bonita.

Colocou ministros para ajudá-lo no governo. A Macaca ficou com a região florestal de Campinas, apenas como um quebra galho. O Galo ficou na região florestal de Minas para tomar conta dos galinheiros de toda a floresta. Construíram uma Toca para a Raposa comandar todas as raposas da floresta. O Gavião como não tinha casa no reino, mas era fiel à floresta, foi construída uma para ele nas montanhas. O Leão ficou comandando o nordeste da floresta. O peixe comandava os rios e os mares. Como havia muitas carniças no reino foi construído um ninho para o Urubu descansar e tomar conta. Conhecido como Ninho do Urubu. Os bâmbis ficaram muito mais contentes, pulando pra cá e pra lá.

O reino ia muito bem com esta nova administração. O lema era: “Adversários sim, inimigos não”

Fizeram o hino nacional da floresta e sempre quando aparecia o presidente Nobre na sacada para um pronunciamento em rede florestal, todos cantavam respeitosamente, “Palmeiras, meu Palmeiras, meu Palmeiras…”

Logo após os pronunciamentos todos entoavam, “e dá-lhe porco, e dá-lhe porco, olê, olê, olê.

E todos viveram felizes.

VOCAÇÃO


O teste vocacional, é uma avaliação feita com objetivo de trazer mais clareza para quem está em busca de definir uma carreira a seguir. A ideia de cada teste vocacional é, a partir da análise de um conjunto de características específicas da personalidade, apontar áreas ou profissões em que a pessoa possa se adequar melhor de acordo com seu perfil.

Minha vocação ou o que eu gostaria de fazer para ser alguém na vida começa no final do 3º ano do colegial. Não fiz teste vocacional e nem sabia que existia este tal teste.

Antes disso, eu achava que iria ser jogador profissional de futebol, porque adorava o esporte e praticava muito. Fui convidado para fazer testes em times profissionais e sempre era impedido por minha mãe que queria que eu fosse alguém na vida e isto só se conseguiria com estudos.

Prestei vestibular para turismo. Cursei a faculdade em 2 semestres e constatei que não era minha vocação. Tranquei a matrícula e não voltei mais.

Trabalhei em vários empregos. O meu primeiro, foi aos 15 anos como empacotador. Minha mãe que arrumou este emprego para eu poder ajudá-la nas despesas de casa. Na época eu entregava todo meu salário para ela, dentro de um envelope. As caixinhas que ganhava eu guardava. Acho que minha primeira vocação começava aí, no trato com as pessoas. Dentre os empacotadores eu era quem mais ganhava gorjetas.

Não durei muito no emprego porque minha mãe arrumou um outro para eu trabalhar. Era uma empresa de artefatos de plásticos para hospitais, como sonda, bolsa plásticas e tubos. Trabalhei como office boy e uma das tarefas era entregar nos hospitais os produtos que a empresa vendia, e pude observar que minha vocação para medicina não vingaria.

Depois de muito rodar nos empregos, porque na época havia muitos empregos e podíamos escolher onde trabalhar e só ficava desempregado quem não queria trabalhar.

Entrei em um banco e com o passar do tempo constatei que minha vocação era ser bancário por trabalhar com pessoas e poder ajudá-las.

Neste banco em minhas horas de lazer fazia curso de teatro. Participei de vários festivais e pude constatar que minha vocação poderia ser de ator, mas com a situação econômica do país, a associação dos funcionários terminou com o curso de teatro.

Não me dava por vencido. Canalizava todas minhas energias nos campeonatos de futebol que a associação dos funcionários fazia como inter agências, inter estaduais e até nacionais. Caí de uma cachoeira, quebrei braço, perna, perdi a patela e adeus vocação para o futebol.

Entrei no coral da associação. Gostava muito, porque havia apresentações e lidava com pessoas, mas sabia que não tinha vocação para cantar.

O tempo foi passando e tenho certeza que tive grandes momentos felizes não só em minha vida profissional como também em minha vida familiar.

Terminando meu ciclo no trabalho e diante de muitos questionamentos dos meus colegas, afirmando que não iria me acostumar com a vida de aposentado, finalmente pude constatar que a minha verdadeira vocação era justamente ser um aposentado.

Não ter hora para dormir, não ter hora para acordar. Viajar muito, assistir aos jogos de futebol do Brasil e do mundo, pescar, brincar com meus netos, ir comer churrasco na esquina, beber cervejas, jogar conversa fora, rever familiares, passear com a cachorra, enfim, coisas simples para desfrutar a vida.

A crônica poderia terminar aqui com este final feliz, mas infelizmente uma doença, a Covid-19, estragou tudo. Agora faço parte do grupo de risco, em pensar que já participei de um grupo de teatro, coral, futebol, amigos e pro aí vai. O futebol acabou. Suspenderam os jogos. Os netos, não posso ir visitá-los. Viajar? Nem pensar, por conta do isolamento. Pescar? Só quando assisto televisão. Churrasco na esquina? só quando terminar a pandemia.

Não me dou por vencido. Muitas coisas positivas existem.

Tempo para ler livros, tempo para escrever, tempo para assistir filmes no Netflix, tempo para tocar violão, tempo para fazer curso de inglês pela internet, tempo para a família, se bem que alguns arranca rabos acontecem, mas é normal.

Saudades dos entes queridos, dos amigos, dos abraços, dos apertos de mãos, dos beijos…

Sou otimista. Isto tudo vai passar e aprenderemos a dar muito mais amor para as pessoas, ou seja, ser um eterno aprendiz, ser mais solidário, ser mais feliz, agir mais com o coração, sem sentir vergonha do que está fazendo.

Viver e não ter a vergonha de ser feliz.



IRMÃO SOL, IRMàLUA

Estamos numa crise civilizacional. O mundo em que vivemos está praticamente quebrado, doente e precisa urgentemente de entrar nos eixos.

Temos que ser mais dignos e humanos. Temos que enxergar que não existem ricos ou pobres, sadios ou doentes. Somos iguais perante Deus.

Não quero entrar em uma discussão sobre religião. Quero apenas enaltecer o amor que está faltando entre os terráqueos.

Irmão Sol, irmã Lua.

Sol, uma palavra masculina e, no entanto é uma estrela, feminina.

Lua, uma palavra feminina e, no entanto é um satélite, uma palavra masculina.

Não importa ser masculino ou feminino. O importante é o amor.

Poderia colocar o nome desta crônica de Irmão Nelson, irmã Sonia, porque independente de tudo somos providos de muito amor, um pelo outro.

A fase em que passamos mais juntos foi nossa infância, depois vamos trilhando caminhos diferentes que vão nos afastando fisicamente. Vamos construindo outras famílias e essas famílias vão construindo outras e assim caminha a humanidade. Agora, o amor entre nós existe até hoje, mesmo morando distante um do outro.

Nossa infância foi inesquecível. Quando estamos conversando pelo celular ou wattsapp sempre relembramos o passado. Já escrevi até crônica em sua homenagem, como “Feliz aniversário” que conta a história do banho na galinha e que gastamos uma caixa de sabão em pó. O banho não aconteceu porque nossa mãe deu um berro quando viu a cena da incursão da galinha no tanque cheio de espumas. Apanhamos tanto que até hoje não sabemos se foi por causa da galinha ou se foi o gasto de uma caixa de sabão em pó.

Na época do carnaval saíamos na rua para jogar água nos carros, no máximo água com sabão que colocávamos numa bisnaga.

Na volta da escola a caminho de casa, apertávamos as campainhas das casas e saíamos correndo. Nunca fomos pegos.

Uma vez estávamos no riacho nos fundos da nossa casa e nossa prima te chamou para ver uns peixinhos pretos (girino) e quando você se abaixou para ver, ela te empurrou e você caiu no riacho. Chorou muito e saiu correndo para contar à nossa mãe.

Lembro o tempo em que íamos na casa do vizinho, Sr.Flavio, pai de três filhas e que ajudávamos a colocar pedrinhas de isqueiros num recipiente circular onde cabiam 6 ou 8 pedrinhas. Ele trabalhava com isso e toda família ajudava, inclusive nós, que éramos apenas vizinhos. Eu comentava contigo que quando crescesse iria ser colocador de pedrinhas de isqueiros.

Havia no quintal de casa uma plantação de feijão e estávamos sempre concorrendo com nossas vizinhas que também tinham uma plantação, para ver qual horta era mais bonita.

Quando chegávamos da escola nossos cachorros (Fox e Lulu) ficavam esperando no portão. Acho que esta cena inspirou o Roberto Carlos a cantar “Eu cheguei em frente ao portão. Meu cachorro me sorriu latindo…”

Lembro também que cortei seu cabelo e coloquei um gorro na sua cabeça para nossa mãe não ver o estrago que fiz. Ela descobriu logo que chegou em casa porque estava muito calor e tirou o seu gorro. Não entendo o porquê que você apanhou também, sendo que era apenas a vítima.

Nós éramos crianças muito comportadas. Lembro que nossa mãe te avisou inúmeras vezes para sair de perto da panela de arroz que estava quente. Acho que esta foi uma das únicas vezes que você não obedeceu e ela colocou sua mão na panela e você pode sentir que realmente o arroz estava quente.

Quando um só de nós apanhava o outro sabia que sobraria para ele também. Sempre apanhávamos juntos. Irmãos unidos até na surra.

Com o passar do tempo, cada um tomou um rumo na vida. Eu casei, você casou mas nunca deixamos de ser o irmão Nelson e irmã Sonia.

Hoje somos avós, curtimos nossos netos e continuamos a ser os irmãos astros. Irmão Sol, irmã Lua. Despidos das vaidades e com muito amor um com o outro.

Agradeço a Deus e aos nossos pais por terem gerado você para ser minha irmã.

Te amo muito. Feliz aniversário.

CADEIRA MÁGICA

Depois que o príncipe beijou Branca de Neve e estavam vivendo felizes, a vida se tornou monótona. Os anões iam trabalhar todos os dias cantando, “eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…”

Atchim numa conversa com Dengoso: Será que Branca de Neve está feliz agora?

Zangado, o intruso, se colocou na conversa e disse: claro que está, seu “nó cego”, casou com um príncipe cheio da grana e nem está pensando na gente.

Soneca então disse: ela jamais esqueceria da gente.

Dunga: Bem que ela poderia vir nos visitar ou então “bater um fio” para saber como estamos.

Mestre: seu burro. Ainda não foi inventado o telefone e outra, você não fala, você é mudo. Não estrague essa história.

Feliz: Não vamos brigar. Vamos cantar, quem sabe ela vem nos visitar. “eu vou, eu vou…”

Quando estavam chegando em casa, já anoitecendo, observaram que as luzes estavam acesas. Pararam de cantar e chegaram em silêncio. Adentraram à casa e viram uma torta de maçãs sobre a mesa.

Atchim falou baixinho: Olha, uma torta de maças!!!

Feliz: Oba! Vamos comer.

Zangado: Não senhor. Pode estar envenenada.

Mestre: Significa que tem gente em casa. Pode ser a Branca de Neve. Vamos até o quarto.

Dengoso: E a torta?

Soneca: A Branca de Neve é mais importante.

Feliz: Então vamos comer a Branca de Neve mais tarde e acordar a torta agora.

Mestre: Quer ficar calado, seu engraçadinho.

Todos foram até o quarto e quando abriram a porta, todas as camas estavam juntas e duas pessoas dormindo nelas. Puxaram as cobertas e antes que saíssem todas, o príncipe puxou-as e disse: Ei, nós estamos pelados!

Atchim: Por que vocês estão pelados?

Zangado: Isto não é coisa que se pergunte. Quando crescer, você irá entender.

Feliz: Ele nunca vai crescer.

Soneca: O príncipe está com cara de sono. Ele dormiu mesmo!

Mestre: Vamos sair daqui agora para eles se tocarem, digo, trocarem. Estamos esperando na sala.

Dengoso: Podemos comer agora?

Mestre: O que você falou?

Dengoso: A torta.

Branca de Neve: Não podem comer a torta agora. Esperem que nós já vamos.

Todos foram para a sala, sentaram em volta da mesa admirando a suculenta torta. Esperaram o príncipe e Branca de Neve.

Já na sala, Branca de Neve disse: Esta torta é mágica. Vocês dão uma mordida e falam alguma coisa que seja verdade. Se realmente o que vocês disserem for verdadeiro, a cadeira começa a flutuar e moedas caem sobre vocês.

Todos ficaram incrédulos. Algum tempo depois, Mestre dá uma mordida na torta e diz: Eu tenho a menor mão do reino. A cadeira começa a flutuar e moedas caem sobre ele.

Feliz todo feliz olha para o pé de cada um, dá uma mordida na torta e diz: Eu tenho o menor pé do reino. A cadeira flutua e caem moedas sobre ele.

Soneca: Eu tenho o menor braço do reino. A cadeira não se move.

Dengoso: Você não mordeu a torta.

Soneca morde a torta e diz: Eu tenho o menor braço do reino. A cadeira flutua e lá vem mais moedas.

Zangado: Deu uma mordida na torta e disse: Eu tenho o menor pênis do reino. A cadeira do príncipe começa a flutuar.

COVID-19


Escrevo crônicas de humor. Como faço para falar sobre Coronavírus, um assunto tão sério?
Começou na China, foi aumentando o número de pessoas infectadas e mortas. Depois foi se espalhando pelos continentes. Enquanto não chegava na América latina, as pessoas daqui estavam despreocupadas, mas pasmem, chegou ao Brasil.
A imprensa em geral, informando e anunciando por todo o planeta sobre este vírus. Uma pandemia. Divulgar o número de infectados e mortos no mundo é impossível, porque todos os dias os casos vão aumentando. As dicas todos já sabem. Lavar as mãos bem lavadas, evitar aglomerações e etc. Neste ponto, ela faz este trabalho com perfeição, inclusive, alertando as pessoas sobre fake news.
A única coisa que não consegue, é tirar a criatividade do povo brasileiro. Com memes e piadas sobre o assunto.
Dizem que é melhor rir do que chorar.
Que saudades do tempo em que Corona era um banho de alegria num mundo de água quente.
Corona a cerveja sem vícios e sem vírus.
Raul Seixas, nosso Nostradamus brasileiro, já previu em suas canções “Há dez mil anos atrás, o dia em que a terra parou”.
Este vírus mundial, para se proteger é só se abrigar no Allianz Parque, porque o Palmeiras não tem mundial, apesar de eu discordar, pois fomos o primeiro campeão mundial em 1951.
Coronavírus mata menos que o HIV e no entanto, a maioria das pessoas continuam tendo relações sexuais sem preservativos. Lavem as mãos, evite aglomerações e se você tiver com uma outra pessoa, goste ou não goste, use o preservativo.
Para evitar a transmissão do Coronavírus, evite fazer festas com mais de 20 convidados. Apenas COVID-19.
Hoje de manhã, na padaria, enquanto eu tomava café da manhã, entraram duas pessoas com máscaras. Foi pânico geral, até eles falarem que era um assalto e tranquilizar a todos.
Sem abraço, sem beijo, distância de segurança de 2 metros e encerramento de atividades esportivas e sociais! É igual a vida de casado, só que com tosse.
Para você ficar sem vírus, sem vícios, sem vínculo, sem viagens e covid, desculpe pelo erro, com vida, propague a leitura das minhas crônicas. Não faz mal a ninguém.

PALÍNDROMO

O dia 02/02/2020, é uma data palíndromo, isto é, quando a sequência de números de dia, mês e ano pode ser lida em qualquer ordem: da direita para a esquerda, e da esquerda para a direita, sem que o significado se altere.

Neste século, a primeira data foi em 20/02/2002, a outra só acontecerá em 22/02/2022.

No próximo século, para quem ainda estiver vivo, será 21/12/2112.

Se você pesquisar encontrará várias explicações.

O número 2 representa o despertar de toda a sensibilidade, delicadeza e gentileza que temos dentro de nós. É hora de aceitar que não estamos aqui sozinhos. A cooperação e a empatia devem estar, cada vez mais presentes para que sigamos um caminho de mais luz. Será importante trabalharmos as emoções e as dependências emocionais.

Esses números, representam conquistas, prestígios, realizações e ambições. Essa força material só irá dar certo se estiver em perfeita harmonia com a parte espiritual.

Como diz a numeróloga Bruna Watanabe:

“Os desejos e pensamentos financeiros e materiais devem estar alinhados com o bem maior da humanidade. Não busque ser financeiramente próspero pelo ego. Ele está aí para cegar seus pensamentos humanitários. Busque a abundância colaborando com o amor do universo, pois o dinheiro é uma energia de troca e só vem de fato para nós com leveza doada”

Diante de toda esta explicação, espero que eu tenha entendido, vou doar o próximo prêmio da mega sena do dia 22/02/2020 para as pessoas que acreditarem em mim. É só jogar. Vamos aos números da sorte.

07 – 20 – 38 – 43 – 45 – 53.

Boa sorte!

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NÚMEROS PRIMOS

Números primos são números naturais que têm apenas dois divisores diferentes: o 1 e ele mesmo.

Exemplos: 2 tem apenas os divisores 1 e 2, 

3 tem apenas os divisores 1 e 3

5 tem apenas os divisores 1 e 5 e assim por diante, 7, 11, 13…

Agora, se falarmos em número de primos, não posso esquecer da minha família.

Minha vó, mãe da minha mãe, teve 6 filhas, uma morreu, e ficaram 5. Calma leitores, não é para fazer contas agora. As outras, me deram inúmeros primos, menos a minha mãe que deu uma irmã maravilhosa e que amo demais. Minha mãe e a caçula das filhas tiveram só 2 filhos. A filha mais velha gerou 3 filhos, uma filha com 4 filhos e a outra filha que também era minha madrinha, teve…  Espera um pouco, estou fazendo as contas para não deixar nenhum primo de fora e consultando uma prima de boa memória. Teve 7 filhos, 5 que se dizem homens e 2 princesas.

Agora leitores, podem fazer as contas.

Quantas historias eu tenho para contar?

Relembraremos o tempo de infância.

Minha tia madrinha, casada com um militar, sempre mudava de cidade porque meu tio era transferido. Conheci, Atibaia, Bragança Paulista, Brodósqui, Ibitinga, Itatiba, Piracaia e Sertãozinho. Quando íamos visitá-los, meus país mantinham a viagem em segredo até a última hora, porque eu não conseguia dormir de tanta ansiedade de rever meus padrinhos e primos.

Não falarei os nomes dos primos para não ser processado.

Primos na matemática são números naturais, na nossa família, naturais eram os cachos dos cabelos de uma das primas, que eram muito bem cuidados com carinho e zelo. Hoje, quando vou ao supermercado, sempre dou uma paradinha na gondola de sucos, porque seu sobrenome é a marca de um suco de caixinha e fico relembrando o tempo de outrora.

Tenho uma prima que nasceu no dia dos mortos, mas toda família, no dia 02 de novembro só lembra do seu aniversário. Duvido que alguém, quando em sua companhia, consiga ficar triste. Além de excelente memória, tem muito bom humor e energia para dar. Num futuro bem próximo iremos nos encontrar e com certeza escreverei outra crônica falando de família, principalmente sobre tias e madrinhas.

Tenho uma prima que até hoje não come abacate por trauma de infância. Sua irmã, ao mastigar a referida fruta abriu a boca e mostrou, como no filme do exorcista. Por morarmos perto, era a prima que mais brincava. Lembro que ela cantava música em inglês e eu achava muito bonito. Prima muito inteligente.

Um primo que gostava muito de jogar futebol de botão, fazia campeonatos e tinha um caderno que marcava todos os jogos que ele participava. Só havia vitórias dele. Quando eu contestava as minhas, ele falava que eram amistosos. Hoje é famoso, tem livros publicados, vive aparecendo em programas na televisão e comentando sobre as expressões e gestos de pessoas. O corpo fala. Ele sabe quando a pessoa está mentindo ou falando a verdade. Quero encontrá-lo e desmascará-lo sobre minhas vitórias no jogo de futebol de botão.

Outro primo era tão peralta que vivia se acidentando. Uma vez, caiu de um andaime e o ferro ficou cravado em uma de suas pernas. Hoje advogado.

Outro primo, quando criança era gago e não conseguia pronunciar a letra “r”. A história que conheço foi quando, chegando em casa aos prantos, informou a sua mãe que a professora substituta havia brigado com ele só porque havia xingado sua coleguinha de classe e na verdade ele só estava pedindo a régua de volta. “ Dedevolvolva aaa miminha éégua”. Ainda bem que na época não existia celular. Não conseguiria passar trote em ninguém. Fico imaginando do outro lado da linha a voz perguntando: “Aaadidivivinha quequem é?

Voltando a matemática, errou quem falou inúmeras histórias.

Precisaria de escrever um livro e não uma crônica.

Agora uma lição de casa com as quatro operações.

Somem as suas esperanças, subtraiam conflitos, multipliquem as alegrias e não sejam como números primos e sim, dividam tudo de positivo, com tudo e com todos.

FATOS E FOTOS

Relembrando as maquinas fotográficas.

Você comprava o filme com 12, 24 ou 36 poses ou fotos, dependendo para qual evento. Uma viagem, um encontro, uma festa, um baile ou sem motivos mesmo.

Você não ficava tirando fotos como hoje. A mesma pose você clica três vezes no seu celular e fica com a melhor, as outras duas você deleta. Tira foto à vontade e vê na hora se ficou boa. Compartilha em redes sociais, enfim, a modernidade, mas não a mesma sensação.

A sensação indescritível de você levar para a revelação, na “foto ótica”, sim porque além de revelarem suas fotos eles vendiam, filmes, molduras e óculos. Na entrada várias fotos já reveladas e colocadas em quadro na vitrine da loja, obviamente autorizadas pelo modelo. Havia uma sala própria para tirar foto 3×4 para documentos.

Quando comprava os filmes para a máquina, o atendente explicava como colocar e como retirá-los sem estragar suas fotos.  Não poderia tirá-los na claridade, senão queimariam as fotos. Vários truques e dicas eram apresentados por ele.

Quando estava acabando o filme da máquina, ficávamos economizando para não gastar com fotos bobas.

Quando havia fotos mais ousadas, me lembro que não levava no mesmo lugar para revelar.  Ficávamos com receio do profissional conhecer por exemplo, sua irmã, prima ou mãe de biquíni.

Imaginávamos se as fotos ficariam boas, as vezes até apostatávamos quantas ficariam danificadas.

As sensações de abrir o envelope para ver as fotos eram emocionantes.

Lembro que tirei a foto de uma amiga com um biquíni de Asa Delta, deitada de bruços numa cadeira na piscina de um hotel. Acho que foi a melhor foto que tirei em minha vida. Ficou muito boa. Ficou muito tempo guardada e depois de muitos anos ela sumiu do meu álbum, provavelmente rasgada ou queimada por minha atual esposa, mesmo sendo solteiro na época.

Minha mãe não estragava toda foto. Ela recortava a pessoa que não gostava na foto. Havia uma que me deixou curioso. Eram três pessoas, minha mãe, meu pai e outra mulher abraçada ao meu pai que não se via por justamente minha mãe ter recortado. Sei que era mulher porque tinha uma mão com unhas pintadas em cima do ombro dele. Sei lá, poderia ser uma prima, uma amiga em comum.

Fico imaginando o fotografo da Rose Di Primo. Para quem não conhece, foi uma modelo dos anos 70 e 80. Pousava para a revista Ele & Ela, Playboy e Status. Eu tinha vários pôsteres dela.

Por que lembro de Rose Di Primo?

 Em uma tarde brincando em casa com a bola, quebrei o vidro da radio- vitrola (um móvel grande que ficava na nossa sala onde ouvíamos músicas no disco de vinil e notícias, músicas e transmissões esportivas no rádio), não sabia o que fazer. Inocentemente peguei uma foto dela na revista Playboy, uma mais comportada e coloquei no local do vidro. Eu achei que ficou ótima. Pura arte. Eu era um artista.

Quando minha mãe chegou do trabalho no final da tarde, cansada, sua primeira visão foi a radio- vitrola toda moderna e renovada por um artista desconhecido por todos, não por ela, porque já conhecia o artista apaixonado por Rose Di Primo. Apanhei até na adolescência sem saber o motivo. Seria o vidro quebrado ou o meu gosto por mulheres bonitas?

São fatos, são fotos.

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